Área com alerta de desmatamento de agosto de 2025 a julho de 2026. É a menor desde 2016, quando o Inpe começou essa medição.
Temas · Meio ambiente
O que aconteceu com a Amazônia em cada governo?
Desmatamento, fogo, e a crise Yanomami: os números oficiais, o que cada governo fez e por que parte dos efeitos só aparece anos depois.
2º turno · 25/10Em 30 segundos
Com ele, o desmatamento caiu três anos seguidos e chegou ao menor nível em 11 anos. Mas 2024, ano de seca extrema, teve o pior fogo na Amazônia em 17 anos.
No governo do pai, o desmatamento chegou ao maior nível desde 2006. O plano de Flávio promete zerar só o desmatamento ilegal até 2029, meta que o governo Jair também prometeu e não cumpriu.
Os números
Mortes na Terra Yanomami em 2023, 2024 e 2025. Queda de 18% entre 2023 e 2025, mas aumento de 2024 para 2025. Fontes: Repórter Brasil (2023 e 2025) e Band (2024).
Floresta derrubada na Amazônia, por ano
Em km², pela medição oficial do governo por satélite (, do Inpe)
Azul: governo Jair · Vermelho: governo Lula · Cinza: governos Dilma e Temer · Listras: medição que cruza dois governos.
O Inpe mede de 1º de agosto a 31 de julho e dá à medição o nome do ano em que ela termina. A medição de 2023 reúne cinco meses de Jair e sete de Lula; a de 2019 cruza os governos Temer e Jair. Por isso essas duas barras são listradas. Veja a série do Inpe.
Inpe: série de 2012 a 2023, 2024 e taxa consolidada de 2025.
Por que parte do efeito aparece anos depois
O que os estudos mostram sobre a herança deixada na floresta
Derruba
A mata cortada fica no chão, secando. Em 2021, o Ipam calculou 5 mil km² de mata derrubada esperando o fogo.
Queima depois
Em 2024, segundo o Ipam, as áreas que queimaram em florestas públicas já tinham sido desmatadas antes. Somou-se a isso a seca extrema e o calor recorde.
Fica mais frágil
Floresta já atingida tem mais galho seco e pega fogo mais fácil. Um estudo de 20 anos viu efeitos do fogo ainda presentes 14 anos depois.
Chega às pessoas
Segundo Hutukara/ISA, a área destruída pelo garimpo na Terra Yanomami cresceu 309% de outubro de 2018 a dezembro de 2022. A crise já existia antes da emergência declarada em 2023.
Isso não quer dizer que todo o fogo de 2024 seja culpa do governo anterior: a seca daquele ano foi extrema. Quer dizer que parte do que se vê num ano começou nos anos anteriores.
Ipam, Painel Científico para a Amazônia, estudo na revista PNAS, Hutukara e ISA.
O que cada um fez e promete
No governo
- A floresta derrubada caiu de 9.064 km² em 2023 para 6.518 km² em 2024 e para 5.731 km² em 2025 (taxa consolidada), o menor nível em 11 anos.
- Em janeiro de 2023, o governo declarou emergência de saúde na Terra Yanomami. Desde 2020, os Yanomami tinham feito 21 pedidos de socorro contra o garimpo, que o governo Jair quase não atendeu, segundo o Intercept. Em 2022, avisaram o Ministério da Saúde da falta de combustível, voos e verba para o atendimento. Garimpeiros armados, alguns ligados ao PCC, atacavam aldeias e forçaram o fechamento de sete postos de saúde.
- O governo reabriu os postos. Segundo a Agência Brasil, a equipe passou de 690 profissionais no início de 2023 para 1.855 no levantamento divulgado em novembro de 2025. Os médicos passaram de 6 no primeiro semestre de 2023 para 63 no primeiro semestre de 2025.
- Os alertas de desmatamento de agosto de 2025 a julho de 2026 foram os menores desde 2016.
- Em 2024, com seca extrema, a Amazônia teve o maior número de focos de fogo em 17 anos.
- Em 2023, começou a retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no Pará. No início de novembro, as ações policiais chegaram a ser pausadas sob pressão, enquanto a saída voluntária continuava. Depois foram retomadas. A retirada foi marcada por emboscadas e ataques contra indígenas. Um colaborador do Ibama foi assassinado em dezembro de 2025. Segundo reportagem de 12 de outubro de 2026, os focos de incêndio passaram de 41 em julho para 1.007 em setembro; investigadores suspeitam de fogo proposital.
- Em 22 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde anunciou expedição do SUS a Surucucu, de 23 a 30 de setembro. Previa 750 procedimentos para uma região com 2.544 indígenas de 33 comunidades.
No plano de governo
- Reafirma a meta de desmatamento líquido zero até 2030: a área derrubada teria de ser compensada por floresta recuperada.
No governo do pai (2019–2022)
- A floresta derrubada subiu de 7.536 km² em 2018 para 13.038 km² em 2021, o maior nível desde 2006.
- As multas e autuações do Ibama e do ICMBio caíram 30% em 2019 e 2020, comparadas aos quatro anos anteriores.
- Em 2022, Jair criou um programa para estimular o garimpo, com foco na Amazônia. Em 2019, tinha dito a garimpeiros: “O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério”.
- Em 22/04/2020, o ministro Ricardo Salles sugeriu “ir passando a boiada”: mudar regras ambientais enquanto a imprensa cobria a pandemia.
- O , com R$ 3,2 bilhões doados para proteger a floresta, ficou parado desde 2019. Em 2022, o decidiu que a paralisação violou o direito à proteção ambiental.
- Segundo a Folha, o governo Jair não cumpriu a ordem de 2020 para retirar invasores da Apyterewa, no âmbito da 709. A reportagem cita dados do Inpe: o desmatamento passou de 18,9 km² em 2018 a 102,2 km² em 2022 e caiu para 20,6 km² em 2023.
- Em 2020, o governo enviou o PL 191, para permitir mineração em terras indígenas. Segundo relatório do MPF citado pela Repórter Brasil, ao menos seis postos Yanomami foram fechados ou destruídos, deixando 72 comunidades e mais de 4 mil pessoas sem assistência. A reportagem relata incêndio no posto de Homoxi em dezembro de 2022.
Flávio, no Senado
- Flávio e Marcio Bittar propuseram acabar com a reserva legal: parte do imóvel rural que deve manter vegetação nativa. Em áreas de floresta na Amazônia Legal, a regra geral é preservar 80%. A lei prevê exceções e outros percentuais. Em 14 de agosto de 2019, os dois pediram a retirada do projeto. Ele foi arquivado no dia seguinte e não virou lei.
- Em 21 de maio de 2025, votou a favor do projeto que muda as regras da licença ambiental para obras e empresas. Passou por 54 a 13. O PT votou contra. A Lei 15.190/2025 recebeu 63 vetos de Lula; o Congresso derrubou 52 em 27 de novembro de 2025. Entrou em vigor em 4 de fevereiro de 2026. Três , de PSOL, PV e Rede, questionam pontos da lei no STF, sob relatoria de Alexandre de Moraes. Em notícia de 26 de agosto de 2026, a Rádio Senado informou a retirada do julgamento da pauta, sem nova data naquele momento.
No plano de governo
- Promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, “retomando e levando até o fim o compromisso que já assumimos no Governo Bolsonaro”.
- O plano propõe liberar a licença se o órgão não responder no prazo. Para isso, o responsável pelo projeto teria de cumprir as exigências.
Mapa de conexões
Quem agiu na Amazônia em cada governo. Toque em um nome para ver os fatos.
Toque em um nome para ver os fatos, em ordem, com os links.
Pessoa: borda verde-escura · Instituição: borda cinza e fundo claro.
Estar no mapa não quer dizer que o candidato fez o que outra pessoa fez.
Linha do tempo
2019
Flávio e governo Jair
Flávio e Márcio Bittar apresentam projeto para acabar com a reserva legal.
Flávio e governo Jair
14 ago 2019 — Flávio e Marcio Bittar pedem a retirada do projeto. No dia seguinte, ele é arquivado. Não virou lei.
Flávio e governo Jair
Jair diz a garimpeiros que o interesse na Amazônia “é no minério”.
O tema
Desmatamento: 10.129 km², alta de 34% sobre 2018.
2020
Flávio e governo Jair
Salles sugere “ir passando a boiada” nas regras ambientais.
2021
O tema
Garimpeiros armados atacam a aldeia Palimiú, na Terra Yanomami. Duas crianças morrem afogadas na fuga.
Flávio e governo Jair
Autuações do Ibama e do ICMBio caíram 30% em 2019 e 2020.
O tema
Ipam calcula 5 mil km² de mata derrubada à espera do fogo.
Flávio e governo Jair
Na COP26, governo Jair promete zerar o desmatamento ilegal até 2028.
O tema
Desmatamento de 2021: 13.038 km², o maior desde 2006.
2022
Flávio e governo Jair
Jair cria programa para estimular o garimpo, com foco na Amazônia.
Flávio e governo Jair
Bruno Pereira e Dom Phillips desaparecem no Vale do Javari. Jair fala em “aventura não recomendável”.
O tema
Intercept revela 21 pedidos de socorro dos Yanomami contra o garimpo, quase sem resposta do governo.
O tema
manda reativar o Fundo Amazônia, parado desde 2019.
2023
Lula e governo Lula
Governo Lula declara emergência de saúde na Terra Yanomami.
O tema
Segundo Hutukara/ISA, a área destruída pelo garimpo na Terra Yanomami cresceu 309% de outubro de 2018 a dezembro de 2022. A crise já existia antes da emergência declarada em 2023.
2024
O tema
Seca extrema e o maior número de focos de fogo na Amazônia em 17 anos.
2025
O tema
Ipam: áreas que queimaram em 2024 em florestas públicas já tinham sido desmatadas antes.
Lula e governo Lula
Ministério da Saúde divulga queda das mortes em 2024, com os dados disponíveis naquela data.
Flávio e governo Jair
Flávio vota a favor das novas regras da licença ambiental. Parte da base de Lula também.
O tema
Congresso derruba 52 dos 63 vetos de Lula à lei da licença ambiental.
2026
O tema
Lei da licença ambiental (15.190/2025) entra em vigor, questionada no STF.
Lula e governo Lula
Alertas de desmatamento no último ano são os menores desde 2016.
Lula e governo Lula
Inpe divulga a taxa consolidada de 2025: 5.731 km² desmatados, o menor nível em 11 anos.
O tema
Rádio Senado informa que o STF retirou da pauta o julgamento de três ações contra a lei do , sem nova data naquele momento.
Lula e governo Lula
Ministério da Saúde anuncia expedição a Surucucu, prevista para 23 a 30 de setembro.
O tema
17º Encontro de Mulheres Yanomami, em Rokoari: participantes gravam falas contra a volta do . O material integra manifesto divulgado para o segundo turno.
O tema
Repórter Brasil atualiza reportagem com dados do Ministério da Saúde: 356 mortes na Terra Yanomami em 2025.
O tema
Aliança Kayapó, Yanomami e Munduruku divulga carta denunciando ameaças de garimpeiros.
O tema
Folha revela áudios de moradores da região com ameaças de invasão da Apyterewa no dia do segundo turno, caso Flávio vença. A campanha não respondeu até a publicação.
O que isso significa
Por que importa
A floresta guarda a herança de cada governo por anos. O que é derrubado num ano pode queimar no seguinte, e a mata atingida pega fogo mais fácil por mais de uma década. Olhar um ano só engana, para os dois lados.
O que está comprovado
O desmatamento subiu 73% de 2018 a 2021 e caiu cerca de 56% de 2021 a 2025. A alta ocorreu no governo Jair. A queda começou em 2022, ainda sob Jair, e continuou sob Lula. As medições de 2019 e 2023 cruzam a troca de governo. Flávio tentou acabar com a em 2019 e votou pelas novas regras da licença ambiental em 2025.
O que ainda está em aberto
O que a meta de Flávio deixa de fora. Flávio promete acabar com o desmatamento ilegal. Mas a lei ainda permite derrubar mata em algumas áreas. Ele também propôs acabar com a reserva legal, que obriga donos de terras a preservar parte da vegetação. Segundo o MapBiomas, mais de 89% da área desmatada em 2025 tinha sinais de irregularidade. O relatório não garante que o restante foi desmatado dentro da lei.
Terras indígenas. Segundo a Folha (12 de outubro de 2026), indígenas da Apyterewa receberam áudios de moradores da região com ameaças de invasão no dia do segundo turno, caso Flávio vença, na expectativa de que o novo governo retire o território. O plano de Flávio registrado no TSE não trata da demarcação de terras indígenas. Procurada desde 8 de outubro, a campanha não respondeu à Folha até a publicação de 12 de outubro.
Sobre o fogo e os Yanomami em 2023 e 2024
Parte dos efeitos ambientais e da crise de saúde tem causas anteriores ao governo Lula. O Ipam relaciona o fogo em florestas públicas não destinadas, em 2024, a áreas desmatadas anteriormente; isso não permite atribuir todo o fogo daquele ano ao governo anterior. A crise Yanomami veio de anos de armado e de pedidos de socorro quase sem resposta. A seca de 2024 também foi extrema. Desde 2023, o combate ao fogo e a saúde indígena são responsabilidade do governo Lula.
“Nossa leitura” é a interpretação do site a partir dos fatos e das fontes desta página. Conheça os critérios.
Para ser justo com os dois
Sobre Lula
- Em 2024, já com Lula, a Amazônia teve o maior número de focos de fogo em 17 anos. A seca extrema e áreas desmatadas antes explicam boa parte, mas não tudo.
- A queda em relação a 2023 não encerra a crise: foram 356 mortes em 2025, acima das 337 de 2024. A contagem de 2023 passou de 363 (preliminar) a 428 e depois 435. Não se deve misturar essas revisões ao calcular a variação. O governo aponta subnotificação anterior.
- As novas regras da licença ambiental passaram no Senado com 45% dos votos a favor vindos da base de Lula. Lula 63 pontos; o Congresso derrubou 52.
- Em janeiro de 2026, lideranças Yanomami relataram persistência de invasores e cobraram acesso a dados de saúde. As posições das associações e a resposta oficial estão em “O que dizem os citados”.
Sobre Flávio
- 14 ago 2019 — Flávio e Marcio Bittar pedem a retirada do projeto. No dia seguinte, ele é arquivado. Não virou lei.
Cuidado com o que circula
Zerar o desmatamento ilegal “retomando e levando até o fim o compromisso que já assumimos no Governo Bolsonaro perante o mundo”
Plano de governo de Flávio, página 58
O que os registros mostram
O compromisso existiu e seu prazo era 2028. Na COP26, o governo Jair prometeu zerar o desmatamento ilegal até 2028. Durante seu mandato, a derrubada total ficou acima de 10 mil km² nas quatro medições anuais, com pico em 2021. O prazo da promessa ainda não terminou. Esses dados medem desmatamento total e não permitem, sozinhos, medir o cumprimento da meta de desmatamento ilegal. Ilegal zero não é desmatamento zero: o desmatamento permitido por lei fica fora da meta.
O que dizem os citados
Governo Lula
Sobre os Yanomami, apontou subnotificação nos anos anteriores. Segundo a Repórter Brasil, o Ministério da Saúde avalia que houve queda das mortes após 2023 e estabilidade em patamar mais baixo. Sobre a Apyterewa, a Folha relata reforço da segurança e monitoramento das ameaças pelos órgãos federais. Em reportagem de janeiro de 2026, a Casa de Governo afirma que a área de caiu de cerca de 4.570 para 56 hectares entre março de 2024 e dezembro de 2025, com imagens do Censipam.
Plano e campanha de Flávio Bolsonaro
Promete zerar o desmatamento ilegal até 2029. O plano propõe evitar novas obrigações ou gastos desnecessários para o produtor que cumpre a lei. Não promete eliminar todos os custos. Sobre a Apyterewa, a campanha foi procurada desde 8 de outubro de 2026 e não respondeu até a publicação de 12 de outubro.
Jair Bolsonaro
Em 2019, sobre as terras indígenas: “O índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica”. Em 2022, sobre Bruno e Dom, chamou a viagem de “uma aventura que não é recomendável que se faça”.
Mulheres Yanomami
No 17º Encontro de Mulheres Yanomami, em Rokoari, no fim de setembro de 2026, mulheres de 30 comunidades declararam temor da volta do garimpo e da malária, apoio a Lula e rejeição a Flávio. A carta teve 60 assinaturas. Adneia Yanomami disse: “Não queremos voltar a chorar”.
Aliança Kayapó, Yanomami e Munduruku
Em carta de 9 de outubro de 2026, a aliança denunciou ameaças e apontou crescimento de mais de 128% do garimpo ilegal em seus territórios entre 2018 e 2022. Citou estudo preliminar da Fiocruz sobre mercúrio em gestantes Munduruku, com nível 4,5 vezes acima do limite de referência mencionado na carta.
Hutukara e Urihi
Em 21 de janeiro de 2026, a Hutukara (Dário Kopenawa) relatou a entrada de invasores; seus alertas apontavam garimpos ativos em Waikás e Catrimani. A Urihi (Waihiri Hekurari) disse não ter acesso a dados confiáveis de saúde e pediu um canal ao Ministério.
Fontes desta página
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- Nota técnica: Prodes 2024 consolidado Inpe · 07/2025
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- Declaração sobre os incêndios na Amazônia Painel Científico para a Amazônia (SPA) · 10/2024
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Revisão editorial: 12/10/2026. Os registros têm datas próprias; propostas e medidas provisórias podem mudar.
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