Seis dias de trabalho para um de folga. A mudança na Constituição que acaba com essa escala passou na Câmara e, em 14/10/2026, no Senado, por 75 votos a 1. O que cada candidato fez até aqui, e o que cada um pode fazer depois da eleição?
2º turno · 25/10
Em 30 segundos
Lula
Defendeu a desde a Câmara e a tratou como prioridade. Em 14/10/2026, o Senado a aprovou por 75 a 1 nos dois turnos. Chamou a aprovação de “conquista que saiu da rua”.
Flávio Bolsonaro
Criticou a PEC por cinco meses e assinou outra, que mantém as 44 horas. Na véspera anunciou voto a favor; em 14/10 votou a favor à distância, sem discursar. O PL diz que retoma a PEC das horas trabalhadas em 2027.
Os números
Como fica a sua semana
Hoje, na aprovada pelo Senado e na 12/2026, que continua na gaveta
Hoje, na escala 6x1
STrab.TTrab.QTrab.QTrab.STrab.STrab.DFolga
até 44 h
Uma folga por semana.
Emenda aprovada (PEC 221/2019)
STrab.TTrab.QTrab.QTrab.STrab.SFolgaDFolga
42 h dois meses após a promulgação · 40 h mais 12 meses depois
Duas folgas, de preferência com o domingo. Sem corte de salário.
PEC 12/2026, assinada por Flávio
STrab.TTrab.QTrab.QTrab.STrab.S?DFolga
até 44 h
Continua valendo uma folga por semana. O resto é combinado entre patrão e empregado, e pode haver contrato por hora.
Como ler
Cada quadrado é um dia. A emenda aprovada passa a valer depois da promulgação pelo Congresso, prevista para os próximos dias. O ponto de interrogação mostra que a PEC 12/2026 não garante a segunda folga: ela depende do que patrão e empregado combinarem. Ela continua na comissão do Senado, sem relator, e o PL diz que vai insistir nela em 2027.
O que vale a partir da promulgação, e o que a oposição quer votar em 2027
Ponto
Emenda aprovadaPEC 12/2026
Horas por semana
Emenda aprovadaCaem para 42 dois meses após a promulgação e para 40 mais 12 meses depois
PEC 12/2026Continuam até 44
Folgas
Emenda aprovadaDuas por semana, de preferência com o domingo
PEC 12/2026Uma por semana, como hoje; o resto depende de acordo
Salário
Emenda aprovadaNão pode ser reduzido
PEC 12/2026Permite contrato por hora trabalhada, como opção
Acordos
Emenda aprovadaFicam como hoje
PEC 12/2026O que o empregado combinar sozinho com o patrão vale mais que o acordo feito pelo sindicato
Situação
Emenda aprovadaCâmara: 472 a 22. Senado: 75 a 1 nos dois turnos, em 14/10/2026. Vai à promulgação.
PEC 12/202640 senadores assinaram, entre eles Flávio. Na comissão do Senado desde maio, sem relator.
Como ler
Cada linha compara o mesmo ponto. A emenda aprovada é regra, e passa a valer depois da promulgação; a PEC 12/2026 é uma proposta, que o PL diz que vai retomar em 2027. As colunas acompanham a ordem dos candidatos nesta página.
Se reeleito, cabe ao governo aplicar a transição: 42 horas dois meses depois da promulgação, 40 mais 12 meses depois. Não apresentou compensação para as empresas; o PL já cobra ajuste para quem emprega, como desoneração da folha.
A PEC 12/2026 continua no Senado. Para aprová-la, seus apoiadores precisam reunir e 49 senadores, em dois turnos em cada Casa. Ser a maior bancada não basta: a aprovação depende de acordos e votos de outros partidos.
Em 06/10/2026, no dia em que o Senado começou a discutir a PEC, chamou o debate de “oportunista”: “Lula, em quatro anos de governo, não fez”.
Em 07/10/2026, senadores aliados pediram a Alcolumbre que adiasse a votação. Rogério Marinho, coordenador da campanha: “Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade”.
Em 13/10/2026, um dia antes da votação, anunciou voto a favor: “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1, então eu vou votar a favor”. Pediu que o governo compense as empresas: “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”. Não disse qual compensação, nem quanto, nem de onde sai o dinheiro.
Na votação de 14/10
Em 14/10/2026, ficou quase quatro horas sem registrar presença enquanto o plenário discutia a PEC: estava em Porto Alegre, em campanha. Registrou presença às 20h30 e votou a favor à distância, nos dois turnos, pela sessão semipresencial. Não discursou. Rogério Marinho, coordenador da campanha e autor da PEC 12/2026, e Sergio Moro (PL-PR) não votaram.
É a maior mudança na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, e foi aprovada em plena campanha. Para 1 em cada 3 trabalhadores, segundo o Dieese, significa uma folga a mais por semana. O que muda agora é quem aplica a regra, e se ela dura.
O que está comprovado
Lula defendeu a do começo ao fim. Flávio a criticou por cinco meses, assinou outra que mantém as 44 horas e, na véspera, anunciou voto a favor; votou a favor à distância, sem discursar. No mesmo dia, o líder do partido dele disse que a PEC das horas trabalhadas volta em 2027 se ele vencer. A aprovação foi de 75 a 1, com a oposição liberada.
O que ainda está em aberto
O que acontece depois de 25/10. Com Lula: a transição de 44 para 40 horas, sem compensação definida para as empresas, e uma oposição majoritária no Congresso. Com Flávio: a “compensação” que ele pede, ainda sem valor nem origem, e a PEC 12/2026, que o PL diz que retoma com a maior bancada das duas Casas. Também não se sabe a data da promulgação.
Mesmo na versão de Flávio
Ele diz que ouviu os trabalhadores e votou com eles. O voto é fato. Mas a PEC que ele assinou continua viva, o partido dele promete retomá-la em 2027, seu coordenador de campanha não foi votar e ele próprio não defendeu a mudança no plenário. O voto encerra a pergunta sobre 14/10; não encerra a pergunta sobre 2027.
“Nossa leitura” é a interpretação do site a partir dos fatos e das fontes desta página. Conheça os critérios.
Para ser justo com os dois
Sobre Lula
A aprovação não foi só do governo: 75 a 1, com PP e PL liberando as bancadas. Senadores da oposição também discursaram a favor.
A chegou ao Senado em maio e foi pautada em outubro, em plena campanha. Flávio e o PL acusam o governo de uso eleitoral; o governo diz que pediu aprovação rápida desde a Câmara.
Sobre Flávio
Flávio votou a favor nos dois turnos. A sessão era semipresencial e o voto à distância é permitido; ele estava em agenda de campanha.
Mudar de posição não é, por si, contradição. Ele atribuiu a mudança ao que ouviu de trabalhadores na campanha.
Não há registro de Flávio prometendo revogar o fim da 6x1. O Aos Fatos checou como falso em abril; o que existe em 14/10 é a fala do líder do PL sobre a PEC das horas trabalhadas, que cria uma opção paralela, não revoga a regra aprovada.
Flávio não defende trabalho sem folga. Posts que lhe atribuíam uma proposta de trabalho sem folga foram removidos por ordem do TSE.
Cuidado com o que circula
“Flávio vai revogar o fim da escala 6x1”
Posts nas redes, abril de 2026
O que os registros mostram
Não há registro dessa promessa, segundo o Aos Fatos, e o gabinete dele negou. O que está registrado: ele critica a e assinou outra.
“Flávio quer a escala 7x0”
Posts de deputados de PT, PSOL e Rede, junho de 2026
O que os registros mostram
O mandou tirar os posts. O ministro André Mendonça entendeu que o texto que Flávio apoia não diz isso.
“Flávio faltou à votação do fim da 6x1”
Manchetes e posts sobre a ausência dele, 14 de outubro de 2026
O que os registros mostram
Ele não estava no plenário, mas votou. Ficou quase quatro horas sem registrar presença, em campanha em Porto Alegre, registrou presença às 20h30 e votou a favor à distância nos dois turnos. Quem não votou foram Rogério Marinho e Sergio Moro, do PL.