O filme Dark Horse · Caso Banco Master

Por que o dinheiro do filme levou Flávio a ser investigado?

Flávio negociou com Vorcaro US$ 24 milhões para o filme sobre o pai e cobrou as parcelas pessoalmente, inclusive quando o banco já estava em crise. Em julho de 2026, o autorizou a PF a investigá-lo. Ele diz que era patrocínio privado, sem nada em troca.

Sendo investigado pela Polícia Federal

O que isso significa

Nossa leitura

Por que importa

É o único fato do site em que um dos candidatos negociou dinheiro diretamente com Vorcaro. A , que chama Flávio de interlocutor direto do banqueiro, citou possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

O que está comprovado

O acordo de US$ 24 milhões e as cobranças de Flávio. Pelo menos 12,3 milhões chegaram a um nos EUA, segundo a piauí, com base no Coaf.

O que ainda está em aberto

Se houve algo em troca e para onde foi o dinheiro. Flávio nega . A prestação de contas é um laudo contratado pela defesa. E a PF investiga se parte pagou despesas de Eduardo, que nega.

Mesmo na versão de Flávio

Mesmo que tenha sido patrocínio privado, três fatos continuam de pé. Ele negou o acordo de manhã e o admitiu à tarde. Dizia que o último pagamento foi em maio de 2025, mas houve outro em setembro. E seguiu cobrando com a crise do banco já pública.

Do acordo à investigação, em ordem

A data que muda a leitura é 03/09/2025: a partir dela, a crise do banco era pública. As cobranças e o pagamento de setembro vêm depois.

A negociação

Flávio negocia com Vorcaro US$ 24 milhões para o filme.

O voo

Flávio volta da Flórida a Brasília num jato com três donos. Um deles era a , empresa da qual Vorcaro era . Quem pagou o voo não foi identificado.

O primeiro repasse

US$ 2 milhões vão para o , nos EUA. O dinheiro saiu em 13/02/2025; o comprovante foi enviado a Vorcaro no dia seguinte, segundo a piauí. Por isso o Intercept informa 14/02.

A crise se torna pública

O Banco Central proíbe a venda do Master ao BRB. Os problemas do banco se tornam públicos.

A cobrança

Flávio cobra de Vorcaro, por mensagem, parcelas atrasadas.

Mais um repasse

Sai mais US$ 1,67 milhão.

A prisão

Vorcaro é preso. Os ao fundo param.

A visita

Flávio visita Vorcaro em casa, na véspera do anúncio da pré-candidatura, segundo o Metrópoles.

A negativa e a admissão

De manhã, Flávio chama a notícia do financiamento de “mentira”. À tarde, com as mensagens publicadas, admite o acordo em vídeo.

A investigação

O STF autoriza a PF a investigar Flávio. O pedido foi da própria , com favorável da .

O repasse de setembro

A piauí revela o repasse de setembro de 2025. Até então, Flávio dizia que o último tinha sido em maio.

A ordem das datas não prova, sozinha, que houve algo em troca. Essa é exatamente a pergunta que a investigação precisa responder.

Continue rolando para entender

Nesta página

Três números, três perguntas diferentes.

Três números, três perguntas diferentes

Quanto foi combinado

US$ 24 miCerca de R$ 134 milhões, divulgados na época do acordo.

Quanto chegou ao

US$ 12,3 miAo Havengate, segundo a piauí, com base no Coaf. Confirmado por em delação homologada pelo STF, segundo o TMC.

Quanto a defesa diz ter gasto

R$ 75,2 miLaudo privado contratado pela defesa da produtora. Em dólares, são US$ 13,39 milhões, o mesmo valor que o laudo diz que a produtora recebeu do fundo, segundo o SP Diário.
Os três valores medem momentos diferentes do dinheiro e não se somam. O laudo cobre só o período examinado e não é uma conclusão da .

De onde veio e para onde foi o dinheiro.

Quatro números, quatro momentos diferentes. Eles não se somam.

1 · Combinado

US$ 24 mi(cerca de R$ 134 milhões). O que Vorcaro se comprometeu a pagar, num acordo negociado por Flávio em 12/2024 (Intercept). O diretor diz que o valor incluía marketing (Gazeta Mercantil).

2 · Chegou ao

US$ 12,33 mi(7 remessas, de 02 a 09/2025). Pela minuta de 12/2024, o dinheiro iria direto para a conta da produtora. Em 01/2025, o destino passou a ser o Havengate, fundo no Texas, e Vorcaro passou a aparecer como cotista do fundo, não como financiador do filme (piauí). As remessas saíram da Entre Investimentos, de , a pedido de Vorcaro. Coaf (piauí) e delação (TMC). Uma oitava parcela, de 22/10/2025, não foi confirmada.

3 · O fundo passou à produtora

US$ 13,39 mi(= R$ 75,2 milhões). Do Havengate à Go Up, e gasto até 04/06/2026: US$ 9,6 milhões nos EUA e US$ 3,7 milhões no Brasil. Laudo contratado pela defesa, sem detalhar os gastos (SP Diário).

4 · Outras entradas no Brasil

R$ 8,93 mi(10/11 a 30/12/2025, durante as filmagens). Os cinco maiores remetentes à conta brasileira da produtora, segundo o Coaf (Poder360):
  • Moneycorp, banco de câmbioR$ 3,92
  • GO7 Assessoria, de Karina GamaR$ 2,61 mi
  • Marcello Lopes, ex-coordenador de comunicação da pré-campanha de FlávioR$ 1 mi
  • NTT BrasilR$ 750 mil
  • Mario Frias, deputado e produtor-executivoR$ 645,4 mil

À parte · dinheiro público, outra investigação.

R$ 2 milhões em de Frias a entidades de Karina Gama, com irregularidades apontadas pela CGU (Operação Make Up). A apura se R$ 750 mil da NTT Brasil vieram de dinheiro do ICB; diz que os elementos “não permitem afirmar” (Folhapress).

O que ainda está em aberto

O laudo diz que os recursos da produção vieram do . O registra cerca de R$ 5 milhões de remetentes no Brasil em 50 dias. O laudo também informa 1,06 milhão a mais do que as remessas conhecidas ao fundo.

Respostas

Marcello Lopes diz que foi “investimento privado”, com recursos próprios; a PF não aponta irregularidade nesse (CNN Brasil). Frias, GO7, NTT e Moneycorp não responderam ao Poder360.

Quem é quem no dinheiro do filme
  • Daniel Vorcaro — Dono do Master. Prometeu os 24 milhões e mandava pagar.
  • Flávio Bolsonaro — Negociou o acordo e cobrou as parcelas.
  • Thiago Miranda — Publicitário. Fazia a ponte entre Vorcaro e os Bolsonaro e mandava as planilhas.
  • Fabiano Zettel — Cunhado de Vorcaro. Tentou fazer as primeiras remessas e não conseguiu.
  • · Entre Investimentos — Fez as sete remessas, comprando cotas do . Hoje é delator.
  • Paulo Calixto · — Advogado próximo de Eduardo. Administra o fundo no Texas.
  • Eduardo Bolsonaro — Produtor-executivo. Segundo a , orientou a gestão do dinheiro nos EUA. Nega ter usado os recursos.
  • Karina Gama e Michael Davis · Go Up — Donos da produtora, com uma empresa nos EUA e outra no Brasil.
  • Mario Frias — Deputado e produtor-executivo. Pôs R$ 645,4 mil na produtora; é investigado pelas .
  • Marcello Lopes — Publicitário. Pôs R$ 1 milhão na produtora; diz que foi investimento.
Os números medem momentos diferentes do dinheiro e não se somam.

Da Flórida a Brasília.

Em 19/01/2025, Flávio voltou da Flórida a Brasília num jato com três donos. Um deles era a , empresa da qual Vorcaro era .

Veja o voo →

R$ 134 milhões é muito para um filme brasileiro?

Sim, perto dos filmes abaixo: é cerca de 2,8 vezes o orçamento informado de Ainda Estou Aqui, com os valores corrigidos pela inflação.

Valores em R$, corrigidos pelo IPCA até agosto de 2026. Compara o valor negociado de Dark Horse com orçamentos informados dos outros filmes; não prova recorde nacional nem gasto final.

Duas perguntas que a PF ainda investiga.

Segundo a piauí e o Intercept, a produtora Go Up e sua dona, Karina Gama, não tinham experiência anterior comparável em cinema.

Entrou dinheiro público?Em 10/09/2026, a Operação Make Up mirou Mario Frias e Karina Gama por suspeita de desvio de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora. Os dois negam.
Pagou despesas de Eduardo?Outra frente apura se parte do dinheiro do filme custeou Eduardo nos EUA. Ele nega.

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Flávio Bolsonaro

Negociou com Vorcaro um financiamento de US$ 24 milhões para o filme sobre seu pai, divulgado como aproximadamente R$ 134 milhões. Segundo a piauí, os repasses ao Havengate chegaram a US$ 12,3 milhões.
Esse dinheiro não foi para a conta de Flávio. Ele foi para um fundo nos Estados Unidos que cuidava da produção do filme. O que está documentado é que foi Flávio quem pediu.

O que está documentado

O valor negociado foi de 24 milhões, divulgado como aproximadamente R$ 134 milhões. Segundo reportagem da piauí baseada em relatório do , os ao chegaram a US$ 12,3 milhões, incluindo uma transferência em setembro de 2025. Financiamento negociado, dinheiro transferido e custo executado do filme são medidas diferentes.

Em julho de 2026, um ministro do Supremo autorizou a Polícia Federal a investigar Flávio por causa desses repasses. O pedido partiu da própria Polícia Federal e teve favorável da da República. A Polícia Federal descreve Flávio como a pessoa que falava diretamente com o banqueiro.

A sequência das datas:

Em 8 de setembro de 2025, Flávio mandou mensagem a Vorcaro cobrando parcelas atrasadas.

Oito dias depois, em 16 de setembro de 2025, saiu mais um pagamento de US$ 1,67 milhão. Isso aconteceu menos de duas semanas depois de o Banco Central ter proibido a venda do Banco Master ao — ou seja, quando os problemas do banco já eram públicos. Até então, Flávio vinha dizendo que o último pagamento tinha sido em maio de 2025. Esse pagamento só apareceu em setembro de 2026, num relatório do Coaf revelado pela revista piauí.

Em 13 de maio de 2026, de manhã, um repórter perguntou a Flávio sobre o financiamento do filme. Ele respondeu: "É mentira, de onde você tirou isso?" e chamou o repórter de militante. Naquela mesma tarde, com as mensagens publicadas, ele admitiu o acordo num vídeo nas redes sociais.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 e solto no dia 29, com tornozeleira eletrônica. Flávio confirmou em 19 de maio de 2026 que o visitou em casa após a soltura, para encerrar a questão do filme. A visita foi em 04/12/2025, na véspera do anúncio da pré-candidatura, segundo o Metrópoles.

Respostas dos citados

Confirma as conversas. Diz que era "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", sem dinheiro público e sem . Nega ter dado qualquer coisa em troca. Diz já ter apresentado a prestação de contas — um laudo encomendado pela própria produtora do filme. Em agosto de 2026 afirmou que o assunto é "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

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O que dizem os citados

As respostas e seu contexto

Flávio Bolsonaro

Em manifestação anterior ao Globo sobre suas viagens com Willer, Flávio classificou a amizade como legítima e rejeitou suspeitas de irregularidade, conforme reproduziu o BNews.

Essa declaração antecede a revelação sobre a ligação do jato com Vorcaro. O Poder360 registra que Flávio não respondeu à piauí antes da publicação. No mesmo dia, ele ironizou a reportagem no X, segundo o Poder360: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes.”

Willer Tomaz

Segundo o Poder360, Willer declarou que seus voos eram privados e que só soube da participação de Vorcaro em abril de 2026. Disse que, depois disso, buscou encerrar o contrato com a operadora.

Depois da reportagem, disse ao Poder360: “Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo”.

Também afirmou que costumava oferecer caronas gratuitas a amigos, sem . Não confirmou que Flávio e sua família fossem seus convidados nesse voo.

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Documentação

Fontes deste ajuste

Reportagens usadas na redação

A original sobre o vínculo do avião é da piauí. O Poder360 a repercute; não são apurações independentes do mesmo fato. O BNews reproduz informações do Globo sobre o e-mail e a declaração anterior de Flávio.

Consulta editorial: 24/09/2026. A ausência de resposta é a registrada na publicação de cada reportagem, não um acompanhamento em tempo real.

Fontes

O preço do filme

R$ 134 milhões negociados para o filme sobre Bolsonaro. Corrigido pelo IPCA até agosto de 2026, esse valor equivale a cerca de 2,8 vezes o orçamento informado de Ainda Estou Aqui.

O que está documentado

Reportagens divulgaram o financiamento negociado de 24 milhões como aproximadamente R$ 134 milhões. Esse é o valor utilizado na comparação; não é uma prestação de contas do gasto final.

A dimensão do valor levou a imprensa a apresentar Dark Horse como o filme mais caro do cinema brasileiro. A reportagem do Viva condicionou a confirmação do recorde à concretização de todo o financiamento. Em agosto de 2026, a Folha informou que o filme recebeu Registro de Obra Estrangeira na . Por isso, o site apresenta a comparação de valores e essas ressalvas, sem afirmar um recorde nacional comprovado.

Uma perícia privada contratada pela defesa da responsável pela produtora apontou custo executado de cerca de R$ 75,2 milhões até o momento examinado. Esse laudo não equivale a uma conclusão da nem altera o significado dos R$ 134 milhões negociados: são medidas diferentes.

Os valores do gráfico foram atualizados pelo IPCA até agosto de 2026. Para os filmes anteriores, adotou-se dezembro do ano indicado como convenção de comparação, e não como data comprovada de cada despesa. Para Dark Horse, adotou-se maio de 2026, mês de divulgação do equivalente de R$ 134 milhões. A apresenta os valores originais, os índices e a fórmula.

O resultado é uma comparação dos filmes selecionados. Não estabelece um para todos os filmes já realizados no Brasil. Os orçamentos têm escopos diferentes e são os valores divulgados pelas fontes, não despesas auditadas pelo site.

A produtora e as investigações

Segundo reportagens da piauí e do Intercept, a Go Up e sua responsável, Karina Gama, não tinham experiência anterior comparável em cinema. Essa informação é atribuída às reportagens; não é apresentada aqui como uma conclusão da PF de que houve desvio.

A PF investiga se recursos públicos chegaram à produção por empresas intermediárias. Em outra frente, apura se dinheiro destinado ao filme custeou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. São suspeitas em investigação, não conclusões de desvio.

Karina Gama nega o uso de dinheiro público no filme e afirma que os recursos recebidos para a produção eram privados.

Respostas dos citados

A defesa de Flávio sustenta que o dinheiro era privado e que o valor é assunto da produtora do filme, não dele.

Karina Gama nega o uso de dinheiro público e sustenta que o financiamento do filme veio de recursos privados. O custo executado divulgado pela defesa é de cerca de R$ 75,2 milhões, conforme laudo privado descrito pela Folha.

Fontes