Em 13/02/2019, o Banco Central negou que Vorcaro assumisse o Banco Máxima: segundo o voto, boa parte do dinheiro que ele usaria para comprar as ações tinha saído do próprio Máxima, por meio de empresas dele e de de investimento. Oito meses depois, em 14/10/2019, a diretoria do Banco Central, já presidida por Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, aprovou a compra por unanimidade; quatro diretores que tinham votado contra mudaram o voto. O Máxima virou Banco Master em 2021.
O que isso significa
Nossa leituraPor que importa
A autorização de 2019 é o ponto de partida do banco que quebrou em 2025. Foi dada pelo Banco Central sob Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, quando o presidente da República ainda podia demiti-lo. O fechamento foi decidido sob Gabriel Galípolo, indicado por Lula.
O que está comprovado
Os dois votos unânimes da diretoria do : a negativa de 13/02/2019, segundo a qual parte do dinheiro vinha do próprio Máxima, e a aprovação de 14/10/2019, que considerou comprovada a origem de R$ 100 milhões. Entre 12/2023 e 03/2024, Vorcaro esteve ao menos três vezes com Campos Neto na sede do BC em São Paulo, segundo registros de acesso.
O que ainda está em aberto
O que foi tratado nesses encontros e o que mudou entre as decisões de 2019. Em 19/05/2026, Galípolo disse ao Senado que a área técnica deu favorável aos novos recursos. Os votos só se tornaram públicos em 2026, pela .
E o candidato?
Nenhum dos dois candidatos aparece nas decisões de 2019. A aprovação saiu no governo de Jair Bolsonaro; a liquidação, no governo Lula.
Daniel Vorcaro pede ao Banco Central autorização para assumir o controle do Banco Máxima. Ele já era dono de pelo menos 15% do banco.
Governos Temer (2017–2018) e Bolsonaro (2019)O Banco Central nega. O voto diz que boa parte do dinheiro que Vorcaro usaria para comprar as ações tinha saído do próprio Banco Máxima, passando por empresas dele e por fundos de investimento. O presidente do Banco Central era Ilan Goldfajn.
Governo BolsonaroO Banco Central aprova, oito meses depois. O novo voto aponta R$ 100 milhões de feitos entre março e junho daquele ano e conclui que a origem do dinheiro ficou demonstrada. O presidente do Banco Central era Roberto Campos Neto.
Governo BolsonaroEm 2021, o banco é rebatizado Banco Master e cresce rápido, vendendo aplicações com juros altos a pessoas físicas por plataformas de investimento.
Período que atravessa os governos Bolsonaro e LulaVorcaro se reúne ao menos três vezes com Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, na sede do em São Paulo, em 22/12/2023, 07/02/2024 e 19/03/2024, segundo registros de acesso obtidos pela e revelados pelo ICL. Mensagens apreendidas pela mostram que Campos Neto chegou a convidá-lo para sua casa; o encontro foi transferido para o BC, segundo O Globo. Os registros não dizem o que foi tratado.
Governo LulaNota: As duas decisões — a negativa e a aprovação — foram tomadas por unanimidade pela diretoria do Banco Central. O voto de 2019 só se tornou público depois que um jornal o pediu pela Lei de Acesso à Informação.
Ilan Goldfajn foi indicado para o Banco Central por Michel Temer e ficou no cargo até fevereiro de 2019. Roberto Campos Neto foi indicado por Jair Bolsonaro e ficou de 2019 até o fim de 2024. Gabriel Galípolo foi indicado por Lula e assumiu em 2025.
Uma informação importante para entender isso: até 2021, o presidente do Banco Central podia ser demitido pelo presidente da República a qualquer momento. A lei que deu autonomia ao Banco Central, com mandato fixo, é de 2021 — ou seja, é posterior à aprovação de 2019 e anterior à liquidação de 2025.
Em maio de 2026, no Senado, Gabriel Galípolo foi perguntado sobre essa sequência. Ele respondeu que, pelo que consta no processo, a negativa inicial foi por dúvida sobre a origem do dinheiro, e que na gestão seguinte foram apresentados outros recursos, que tiveram favorável da área técnica do Banco Central.