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01 / Os recortes
Aplicação direta e exposição total.
não têm cobertura do . Exposição não é uma medida automática de perda integral.
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De um lado, R$ 4,49 bilhões de aposentadorias de funcionários públicos de estados e prefeituras estavam aplicados no banco. Quem é pessoa física tem um seguro que devolve até R$ 250 mil se o banco quebra. Esses de aposentadoria não tinham seguro nenhum.
Do outro lado, o banco dizia ter bilhões a receber de processos contra o governo. O TCU e a CGU, que fiscalizam as contas públicas, acham que esses papéis valiam bem menos do que o Master afirmava — e que parte deles talvez nem existisse.
O que entrou no banco
Há dois números, e eles medem coisas diferentes. O primeiro é o que os fundos de aposentadoria aplicaram diretamente em papéis do banco chamados : R$ 1,876 bilhão, espalhados por 18 estados e municípios, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Esses papéis não têm nenhuma cobertura do seguro dos bancos. O segundo é a exposição total, contando também o dinheiro aplicado em fundos ligados ao banco: R$ 4,49 bilhões.
No recorte das letras financeiras, o Rio concentra cerca de metade do total. O Rio de Janeiro aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras enquanto outro levantamento, que considera a exposição mais ampla, aponta R$ 3,69 bilhões. Depois vêm o Amapá, com R$ 400 milhões, Maceió, com R$ 97 milhões, e São Roque, no interior de São Paulo, cidade de 79 mil habitantes, com R$ 93 milhões.
No Amapá, governado por Clécio Luís, os alvos da citados nas reportagens eram dirigentes e integrantes do comitê de investimentos do fundo de previdência. Isso não equivale a afirmar que o governador era investigado. A exposição dos fundos de aposentadoria envolve administrações de diferentes partidos.
A Cedae, empresa estadual de água e esgoto do Rio, aplicou R$ 237 milhões e apurou prejuízo acima de R$ 220 milhões.
Ao todo, 29 cidades e estados entraram sob auditoria do Ministério da Previdência por causa disso.
Por que isso é diferente do que acontece com pessoa física
É como o seguro do carro: cobre até um valor, e acima disso o prejuízo é seu. Pessoas físicas que tinham dinheiro no Master recebem até R$ 250 mil de volta. Os fundos de aposentadoria de prefeituras e estados não têm esse seguro. E se o dinheiro do fundo não for suficiente para pagar as aposentadorias, quem responde é a prefeitura ou o estado — ou seja, pode sobrar para o orçamento público.
O que o banco dizia ter a receber
é uma dívida que o governo já perdeu na Justiça e tem que pagar, mas que demora anos para sair. Tem gente que compra essa dívida de quem está esperando: paga menos agora para receber mais depois. O Banco Master fazia muito isso.
No balanço de dezembro de 2024, o banco declarava R$ 8,7 bilhões desse tipo de papel. O Banco Central mandou auditar R$ 13 bilhões em precatórios. Gente que estudou os do banco fala em até R$ 16 bilhões. Duas auditorias contratadas nos precatórios não encontraram irregularidades; o TCU e a CGU apontam ativos supervalorizados ou inexistentes.
A desconfiança dos fiscais é sobre o valor. É como alguém dizer que tem R$ 100 mil para receber de um processo e os fiscais olharem e acharem que ali tem, no máximo, R$ 40 mil. Ou nada.
Uma observação importante sobre estes números
Eles medem coisas diferentes e não devem ser somados. Somar tudo seria como juntar o que você tem na poupança com o que os outros te devem e dizer que é tudo seu dinheiro no banco.
Pela lei 9.717, de 1998, se faltar dinheiro no fundo para pagar as aposentadorias, quem responde é o estado ou a prefeitura. Ou seja, a conta pode acabar voltando para o orçamento público.