Por que um ex-ministro de Jair aparece como ponte entre Vorcaro e Moraes?
Depois de deixar o governo de Jair, Fábio Faria organizou encontros de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, do , e recomendou ao banqueiro o escritório da mulher de Moraes, segundo mensagens da PF. Em 02/2024, vendeu 90% de um projeto a uma empresa ligada a Vorcaro por R$ 67,5 milhões. Ele nega irregularidades; a não concluiu que ele cometeu crime.
Fato documentado
O que isso significa
Nossa leitura
Por que importa
As mensagens mostram um ex-ministro de Jair aproximando o dono do Master de um ministro do e do escritório da família dele. No mesmo período, uma empresa ligada a Vorcaro comprou um projeto de Faria por R$ 67,5 milhões. A pergunta é se o negócio remunerou os contatos.
O que está comprovado
As mensagens extraídas pela , de 12/2023 a pelo menos 04/2024, segundo a CartaCapital. Faria confirma que recomendou o escritório de Viviane Barci de Moraes e, nas mensagens, opinou sobre o prazo do contrato do escritório, segundo o g1.
O que ainda está em aberto
Se o preço do projeto foi justo. Faria o defende; especialistas ouvidos pela piauí discordam, e a KPMG negou ter feito a avaliação que ele citou. Também não se sabe quem pagou o quarto dele em Nova York, em 05/2024: a PF diz que Vorcaro pagou as diárias de Ciro Nogueira, mas as reportagens não dizem o mesmo sobre as de Faria. Não há investigação formal contra ele nas fontes do site.
Mesmo na versão de Faria
Mesmo que ele só tenha recomendado o escritório e o “careca” de uma das mensagens fosse outro assunto, opinou sobre o prazo do contrato e vendeu um projeto no papel a uma empresa do banqueiro com quem mantinha esses contatos.
E o candidato?
Foi ministro das Comunicações de Jair, pai de Flávio, até 21/12/2022. Hoje dirige o SBT News, segundo o Times Brasil. As fontes do site não o ligam à campanha de Flávio.
Vorcaro escreve “fechado 3 anos”; Faria responde “4. Mas pode fazer 3”. O contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes sai com 36 parcelas de R$ 3 milhões, segundo o g1.
Vorcaro pede ao empresário Leo Serrano dois quartos de hotel em Nova York, para “Ciro Nogueira e Fábio Faria”, segundo mensagens obtidas pela PF e publicadas pela piauí. Era a semana de um fórum do Lide na cidade, segundo a CNN Brasil.
O apartamento já está dentro dos R$ 67,5 milhões. A compradora foi a Super Empreendimentos e Participações, ligada a Vorcaro, não o Banco Master, segundo o Times Brasil.
Mensagens sobre encontros e contratos, além da venda de participação em um projeto eólico a uma empresa ligada a Vorcaro.
O que está documentado
Foi ministro de Jair BolsonaroFato documentado: mensagens e negócio noticiados
Aparece na organização de encontros de Vorcaro com Moraes e nas do contrato com o escritório de sua esposa.
Que papel aparece nas mensagens?
Segundo a CartaCapital (abre em nova aba), mensagens extraídas pela mostram Faria organizando encontros entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, ministro do , a partir de dezembro de 2023.
Em janeiro de 2024, ele também aparece nas conversas sobre o contrato do Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A Gazeta do Povo (abre em nova aba) relata que Vorcaro tratava esse contrato como o mais importante do banco.
Qual foi o negócio com Vorcaro?
A piauí (abre em nova aba) revelou a venda de uma participação em um projeto de energia no Rio Grande do Norte, em fevereiro de 2024. Era um projeto ainda em desenvolvimento, não um parque pronto produzindo eletricidade.
Segundo o Times Brasil (abre em nova aba), a compradora foi a Super Empreendimentos e Participações, ligada a Vorcaro. Faria permaneceu com 10% do projeto.
Os episódios ocorreram depois do ministério
Saída do Ministério das Comunicações.
Mensagens sobre encontros de Vorcaro com Moraes.
Negócio de R$ 67,5 milhões pelo projeto eólico.
Pedido de Vorcaro de dois quartos de hotel em Nova York, para Faria e Ciro Nogueira.
Fábio Faria já estava fora do governo quando ocorreram essas articulações e o negócio descrito.
O que ele diz sobre os contatos e a venda?
A resposta de Faria
Segundo a Gazeta do Povo (abre em nova aba), ele confirma ter recomendado o escritório de Viviane, mas nega participar de reuniões posteriores, conhecer os valores do contrato ou intermediar processos judiciais.
À piauí (abre em nova aba), defendeu o preço do projeto. A reportagem contrapõe essa avaliação à de especialistas e registra que a empresa de auditoria KPMG negou ter feito a avaliação financeira por ele mencionada.
Sobre a reserva em Nova York, a piauí e a CNN Brasil não trazem resposta de Faria.
O Times Brasil (abre em nova aba) também reproduz sua declaração de não ter relação comercial com o Banco Master. Na venda do projeto, a reportagem identifica uma empresa ligada a Vorcaro como compradora, não o Banco Master.
O que está confirmado e o que continua em apuração?
As reportagens descrevem mensagens e uma transação privada. A CartaCapital (abre em nova aba) ressalta que o relatório citado não conclui que Faria cometeu crime.
Em 5 de agosto de 2026, a piauí (abre em nova aba) informou, com base em um agente ouvido , que a analisava seu papel, mas que naquela frente não havia investigação formal contra ele naquele momento.
Nas fontes consultadas nesta revisão, não foi localizada confirmação posterior de investigação criminal formal contra Faria sobre esses episódios. O relato de agosto não permite afirmar que a situação permaneça igual hoje.